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Lula e Trump fazem discursos sobre América Latina na ONU

Presidente dos Estados Unidos afirmou que poderá recorrer ao poder militar para proteger interesses considerados vitais por Washington no Hemisfério Ocidental

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mencionar a possibilidade de utilização da força militar norte-americana na América Latina e no Caribe. A declaração ocorreu nesta terça-feira (22), durante discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Em uma fala de quase 40 minutos, Trump afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a empregar seu poder militar para proteger o que o governo norte-americano considera seus interesses nacionais vitais no Hemisfério Ocidental.

“Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental”, declarou Trump, acrescentando que, se necessário, o país utilizará seu poderio militar.

Venezuela entra no discurso

A Venezuela teve destaque na manifestação do presidente norte-americano. Trump abordou as ações realizadas pelos Estados Unidos no país em janeiro deste ano e mencionou o acordo petroleiro firmado posteriormente com a presidente encarregada Delcy Rodríguez.

Segundo a Agência Brasil, o acordo garante a uma empresa ligada ao Pentágono o controle de até 21% do petróleo venezuelano. Trump classificou a operação envolvendo a Venezuela como uma guerra e destacou os ganhos obtidos pelos Estados Unidos.

A Agência Brasil também informa que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos retirou posteriormente a acusação de que Nicolás Maduro lideraria o chamado “Cartel de Los Soles”. A existência e a natureza dessa organização são objeto de divergências entre especialistas.

Trump compara cartéis ao ISIS

Outro ponto do discurso foi o combate às organizações envolvidas com o tráfico de drogas na América Latina.

Trump comparou os cartéis latino-americanos ao ISIS, organização terrorista originada no Iraque e na Síria, e afirmou ter mobilizado as Forças Armadas norte-americanas para combatê-los.

O presidente também mencionou diretamente o México. Apesar de afirmar que mantém boas relações com o governo da presidente Claudia Sheinbaum, Trump declarou que o país precisa recuperar o controle de áreas afetadas pela atuação dos cartéis.

Sheinbaum, por sua vez, tem defendido que o combate às organizações criminosas não seja utilizado como justificativa para intervenções externas no território mexicano.

Cuba e reação na ONU

Trump também fez declarações direcionadas a Cuba. Durante a fala do presidente norte-americano, representantes cubanos deixaram o plenário da Assembleia Geral em sinal de protesto.

As declarações reforçaram o debate sobre soberania e interferência externa na América Latina e no Caribe.

Lula fala antes de Trump

Donald Trump discursou logo depois do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua manifestação, Lula criticou interferências externas em países da região e afirmou que a América Latina e o Caribe enfrentam pressões decorrentes da proximidade com a maior potência militar mundial.

O presidente brasileiro também citou Venezuela, Haiti e Cuba ao criticar o que classificou como ingerência externa e divisão do mundo em zonas de influência.

A participação dos dois presidentes ocorreu no primeiro dia do debate de alto nível da Assembleia Geral da ONU, que reúne chefes de Estado e de governo em Nova York.

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