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PF e CGU investigam aplicação de R$ 97 milhões do Iprev

Operação apura possíveis irregularidades em investimentos do Iprev de Maceió no Banco Master; oito mandados foram cumpridos em Alagoas e São Paulo

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram nesta segunda-feira (10) uma operação para investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

Ao todo, os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços de Alagoas e São Paulo. Além disso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as medidas.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer como o Iprev tomou as decisões que levaram à aplicação dos recursos previdenciários.

PF apura possível gestão fraudulenta

A investigação apura uma possível prática de gestão fraudulenta, além de outros crimes que podem surgir durante o avanço das apurações.

Segundo os investigadores, há indícios de que algumas aplicações possam ter seguido direcionamentos específicos. Além disso, os recursos previdenciários podem ter ficado expostos de forma desproporcional a ativos de maior risco e baixa liquidez.

Outro ponto analisado envolve os documentos utilizados para justificar os investimentos. Nesse sentido, a investigação também busca identificar quais estudos e informações sustentaram as decisões.

De acordo com a decisão judicial, algumas autorizações de aplicação e resgate podem ter usado justificativas genéricas e padronizadas. Além disso, os investigadores avaliam se os responsáveis realizaram estudos comparativos suficientes antes das operações.

Ao mesmo tempo, a PF analisa as avaliações de risco de crédito, liquidez e outras características dos títulos adquiridos.

Investimentos ocorreram entre 2023 e 2024

Segundo a Polícia Federal, o Iprev realizou os investimentos investigados entre 2023 e 2024.

Nesse período, o instituto aplicou recursos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Por isso, os investigadores analisam todas as etapas que antecederam as operações.

Entre elas estão o credenciamento da instituição financeira, a cotação dos títulos, a avaliação dos riscos e os procedimentos de governança.

Além disso, a apuração busca identificar quem participou das decisões e quais informações serviram de base para as aplicações.

Dessa forma, os investigadores pretendem reconstruir o caminho dos recursos e compreender como o instituto avaliou as alternativas disponíveis.

Quem aparece entre os alvos da investigação

Entre os alvos das medidas estão pessoas que ocupavam cargos ligados à administração e aos investimentos do Iprev durante o período investigado.

A lista inclui João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e integrante do Conselho de Administração do Iprev à época.

Também aparece entre os alvos Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do instituto.

Além dele, a investigação alcança Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos.

Também estão entre os alvos integrantes da Secretaria Municipal da Fazenda, do Comitê de Investimentos e de uma empresa de consultoria contratada pelo instituto.

Consultoria também entra no foco da PF

A Polícia Federal também analisa a atuação da empresa Crédito & Mercado nas operações.

Segundo a corporação, a consultoria participou de etapas relacionadas ao credenciamento, às análises e à documentação dos investimentos.

Entretanto, os investigadores avaliam se a atuação da empresa ultrapassou os limites de suas atribuições.

Nesse contexto, a decisão judicial menciona a hipótese de uma possível “terceirização indevida da competência administrativa”.

Por isso, a investigação busca esclarecer quais responsabilidades cabiam aos servidores e quais atividades a consultoria efetivamente executou.

Banco Master entrou em liquidação extrajudicial

O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.

Na ocasião, o Banco Central informou que a instituição havia descumprido normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava uma grave crise de liquidez.

Desde então, o caso gerou outras investigações sobre operações realizadas pelo banco e sobre instituições que mantinham recursos aplicados em seus ativos.

Além disso, a existência de recursos de regimes próprios de previdência investidos em títulos do Banco Master aumentou a atenção sobre essas operações.

Recursos pertencem à previdência dos servidores

Os R$ 97 milhões investigados pertencem ao regime próprio de previdência dos servidores públicos municipais de Maceió.

Por esse motivo, a PF e a CGU analisam se o Iprev seguiu todas as normas administrativas e financeiras aplicáveis durante as operações.

Ao mesmo tempo, os investigadores avaliam possíveis falhas na análise dos riscos.

A PF pretende reconstruir todo o processo que antecedeu os investimentos. Para isso, os agentes devem analisar quem participou das decisões, quais documentos utilizaram e quais critérios orientaram a escolha dos títulos.

Além disso, a investigação pretende verificar se os procedimentos adotados respeitaram as regras de governança e segurança exigidas para aplicações previdenciárias.

Até o momento, a investigação não representa condenação dos envolvidos. Portanto, as autoridades ainda precisam concluir as apurações e reunir elementos que confirmem ou afastem as suspeitas.

Iprev afirma que colabora com as autoridades

O Maceió Previdência informou que colabora com as autoridades desde o início das apurações.

Segundo o instituto, a equipe fornece documentos e esclarecimentos solicitados pelos investigadores.

Além disso, o Iprev afirma que realizou os investimentos dentro dos procedimentos legais e administrativos aplicáveis.

O instituto também sustenta que seu patrimônio apresentou crescimento significativo nos últimos anos.

Enquanto isso, as defesas dos envolvidos e outras manifestações oficiais poderão acrescentar novas informações ao caso conforme a investigação avance.

PF e CGU devem aprofundar investigação

A operação desta segunda-feira representa mais uma etapa da investigação sobre aplicações de recursos previdenciários no Banco Master.

Durante a ação, os agentes apreenderam documentos, computadores, celulares e outros dispositivos.

Agora, a PF e a CGU devem analisar esse material para identificar como ocorreram as decisões de investimento.

Além disso, os investigadores poderão verificar a participação de cada pessoa envolvida nas diferentes etapas das operações.

Dessa forma, a análise do material apreendido poderá ajudar a esclarecer eventuais responsabilidades.

Por fim, novas medidas podem ocorrer conforme as autoridades analisem os documentos e demais elementos reunidos durante a operação.

O caso continua sob investigação e, portanto, eventuais responsabilidades ainda dependem da conclusão das apurações.

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