Prefeitura de Iranduba é alvo de representação sobre contratos de livros
Corte de Contas admitiu denúncia sobre contrato que prevê materiais paradidáticos para estudantes da rede municipal; custo por aluno é questionado
O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 3.042.540,00 firmado pela Prefeitura de Iranduba para comprar livros paradidáticos destinados à rede municipal de ensino.
A contratação envolve a empresa AMManaus Representante e Comércio de Livros Ltda. Além disso, o procedimento analisa o Contrato nº 023/2026-CPL-PMI, que tem vigência de 12 meses.
Contrato prevê livros para estudantes de Iranduba
O contrato prevê materiais para alunos do 1º, 2º, 4º e 8º anos do Ensino Fundamental. Os livros atendem às disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.
Além disso, a compra inclui materiais destinados às escolas municipais de tempo integral.
Segundo os dados do Censo Escolar de 2025, 4.399 estudantes integram as séries abrangidas pelo contrato. Dessa forma, o valor global representa aproximadamente R$ 691 por aluno.
Custo por estudante entra no radar do TCE-AM
O valor por estudante passou a gerar questionamentos durante a análise do contrato.
Para efeito de comparação, referências nacionais de aquisição de livros didáticos apontam valores médios inferiores a R$ 100 por estudante ao ano. No entanto, a comparação não considera necessariamente as mesmas condições, quantidades e características dos materiais previstos no contrato de Iranduba.
Por isso, o Tribunal deverá analisar os detalhes da contratação antes de chegar a qualquer conclusão sobre a regularidade dos valores.
Denúncia chegou ao Tribunal de Contas
O denunciante Rodrigo Guedes Oliveira de Araújo levou o caso ao TCE-AM.
Em 10 de abril de 2026, o Tribunal admitiu o processo nº 14.390/2026. A partir disso, a Corte iniciou o procedimento para verificar as possíveis irregularidades apontadas na denúncia.
Além disso, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) apresentou a Representação nº 026/2026. O órgão também pediu uma medida cautelar contra a Prefeitura de Iranduba.
MPC-AM questiona outros contratos
A representação do MPC-AM não analisa apenas o contrato de 2026.
O procedimento também questiona possíveis irregularidades nos contratos nº 023/2026-CPL-PMI, nº 070/2025-CPL-PMI e nº 336/2025-CPL-PMI.
Todos os contratos envolvem a contratação da empresa AMManaus. Portanto, os órgãos de controle deverão avaliar o conjunto das contratações realizadas pelo município.
Prefeitura já havia contratado a empresa em 2025
A AMManaus também recebeu recursos da Prefeitura de Iranduba no ano passado.
Em 2025, o município pagou R$ 686.070,00 à empresa para fornecer livros destinados à Educação Infantil.
Além disso, aquela contratação ocorreu sem licitação, segundo os registros mencionados no procedimento de controle.
Inexigibilidade de licitação será analisada
Outro ponto que chamou a atenção dos órgãos de controle envolve a modalidade utilizada pela Prefeitura de Iranduba.
Conforme os registros oficiais, o município utilizou a inexigibilidade de licitação para contratar a empresa e adquirir os materiais.
Nesse contexto, o MPC-AM incluiu os contratos da AMManaus entre os atos que serão analisados na representação.
TCE-AM ainda não concluiu pela existência de irregularidades
O TCE-AM determinou o regular processamento da denúncia após admitir o processo.
Entretanto, a admissão da denúncia não significa que o Tribunal tenha confirmado a existência de ilegalidades. O procedimento ainda precisa passar pelas etapas de análise e apuração.
Assim, eventuais responsabilidades somente poderão ser definidas após a conclusão do processo e a análise dos documentos e argumentos apresentados pelos envolvidos.
Entenda o caso
- Contrato: nº 023/2026-CPL-PMI
- Valor: R$ 3.042.540,00
- Município: Iranduba (AM)
- Empresa: AMManaus Representante e Comércio de Livros Ltda.
- Finalidade: aquisição de livros paradidáticos
- Alunos abrangidos: 4.399
- Valor aproximado por aluno: R$ 691
- Processo no TCE-AM: nº 14.390/2026
- Representação do MPC-AM: nº 026/2026
- Vigência: 12 meses
O processo continua em tramitação no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas.



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