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Mudanças climáticas pressionam água e segurança alimentar em países insulares

Relatórios apresentados na COP17 alertam para o avanço da degradação do solo, da escassez de água e dos impactos climáticos em mais de 50 países e territórios

A crise climática e ambiental vem aumentando a pressão sobre os recursos naturais de regiões especialmente vulneráveis. Dois novos relatórios apresentados nesta quarta-feira (26), durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), alertam para o avanço da degradação do solo, da seca e da escassez de água na Ásia Central e nos pequenos países insulares em desenvolvimento.

Os estudos fazem parte do Global Land Outlook (GLO), principal publicação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). Juntos, os relatórios analisam a situação de mais de 50 países e territórios e apontam pressões crescentes sobre os recursos hídricos, a qualidade do solo e o clima.

Ásia Central enfrenta avanço da degradação

A Ásia Central reúne Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. Segundo o relatório apresentado na COP17, a região está entre os principais epicentros mundiais da degradação do solo.

Mais de 80 milhões de hectares, o equivalente a mais de um quarto da área da região, já apresentam algum nível de degradação. O problema afeta aproximadamente 30% da população, ou cerca de 24 milhões de pessoas.

A degradação também provoca impactos econômicos significativos. A estimativa da UNCCD é de perdas anuais entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões.

Outro alerta está relacionado ao aquecimento. A Ásia Central está registrando uma elevação das temperaturas aproximadamente duas vezes superior à média global.

As geleiras, consideradas importantes reservas naturais de água para a região, também estão diminuindo. De acordo com o relatório, elas encolheram cerca de 30% nos últimos 50 anos.

Pequenos países insulares enfrentam escassez de água

Os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, conhecidos pela sigla SIDS, também estão entre as regiões mais expostas aos efeitos da crise climática.

O grupo reúne 39 países e 18 territórios espalhados pelo Caribe e pelos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China.

Os dados apresentados indicam que aproximadamente 18,8 milhões de hectares, ou 16,5% da área total combinada desses territórios, encontram-se degradados em diferentes níveis.

A escassez de água é outro ponto crítico. Mais de 70% dos países insulares enfrentam problemas relacionados à disponibilidade de água, enquanto cerca de 43% da área total é afetada pela seca.

O relatório aponta ainda que 3% da área sofre com seca severa e 6% com seca extrema. A área atingida por seca extrema cresceu 30% entre os períodos de 1961–1970 e 2014–2023.

Impactos chegam à segurança alimentar

Os problemas ambientais também têm consequências diretas para a população.

Nos pequenos países insulares em desenvolvimento, estima-se que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave, enquanto aproximadamente 11,5 milhões estejam subnutridas.

A combinação entre degradação do solo, escassez de água, secas e alterações climáticas aumenta os desafios para a produção de alimentos e para a segurança das comunidades mais vulneráveis.

Financiamento para adaptação ainda é insuficiente

Outro ponto destacado pelos relatórios é a necessidade de ampliar os investimentos destinados à adaptação climática.

Atualmente, os países insulares recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para adaptação. Esse montante representa aproximadamente 0,2% do financiamento climático global.

Os pesquisadores estimam, porém, que seriam necessários pelo menos US$ 11,7 bilhões anuais para atender às necessidades de adaptação desses países — quase seis vezes o volume atual.

Cooperação internacional é apontada como caminho

Apesar dos cenários de vulnerabilidade, a UNCCD avalia que ainda existem possibilidades de reversão e adaptação.

A secretária executiva da organização, Yasmine Fouad, destacou a necessidade de acelerar medidas relacionadas à gestão responsável da terra, à cooperação entre países e à proteção das populações e dos ecossistemas.

A avaliação é de que, embora Ásia Central e pequenos países insulares tenham características diferentes, ambos enfrentam pressões ambientais que exigem respostas coordenadas.

Os relatórios foram apresentados durante a COP17 da Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

Fonte: Agência Brasil / UNCCD.

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