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Escândalo em Jeju reacende debate sobre investigação de pessoas desaparecidas

Casos de pessoas desaparecidas levantam questionamentos sobre atuação da polícia na ilha de Jeju; autoridades revisam quase 300 ocorrências

A descoberta de quatro pessoas que haviam sido dadas como desaparecidas e posteriormente encontradas mortas, em um intervalo de apenas três dias, aprofundou a crise envolvendo a atuação da polícia na ilha de Jeju, um dos principais destinos turísticos da Coreia do Sul.

O caso ganhou repercussão nacional depois que surgiram acusações de que registros de pessoas desaparecidas teriam sido encerrados prematuramente por um policial sem a devida confirmação de que as vítimas estavam em segurança. As autoridades agora revisam 298 ocorrências relacionadas ao agente.

Quatro desaparecidos foram encontrados mortos

As quatro pessoas haviam sido registradas como desaparecidas em momentos diferentes. Os corpos foram localizados em diferentes pontos da ilha entre sábado e segunda-feira.

Entre os casos está o de Jang Mi-ran, de 37 anos, desaparecida em maio. Seu corpo foi encontrado cerca de 104 dias depois do desaparecimento. Segundo as informações divulgadas, o caso teria sido encerrado pela polícia antes que sua localização fosse devidamente confirmada.

Outro caso envolve um homem na faixa dos 60 anos, cuja família voltou a procurar as autoridades depois de não conseguir confirmar seu paradeiro. O corpo dele também acabou sendo encontrado posteriormente.

As outras duas vítimas foram localizadas em diferentes áreas da ilha, ampliando a pressão sobre as autoridades policiais.

Policial é investigado

Um policial identificado pelo sobrenome Bu foi detido sob suspeita de negligência no cumprimento do dever, falsificação de registros eletrônicos oficiais e obstrução de funções públicas.

A investigação aponta que o agente teria encerrado determinados casos sem verificar adequadamente se as pessoas desaparecidas estavam realmente seguras. O policial nega as acusações e afirma que havia entrado em contato com algumas das pessoas envolvidas nos registros.

As autoridades decidiram revisar os 298 casos de desaparecimento que passaram pelas mãos do agente. Cerca de dez ocorrências estão sendo analisadas com atenção especial por possíveis irregularidades no encerramento das investigações.

Quatro policiais afastados

A repercussão do caso provocou medidas dentro da estrutura policial de Jeju.

Quatro policiais que faziam parte da cadeia de comando da delegacia relacionada aos casos foram colocados em afastamento administrativo enquanto as investigações avançam.

A polícia também determinou que o encerramento de casos de pessoas desaparecidas passe a exigir aprovação de um superior, enquanto o sistema de gerenciamento das ocorrências é revisado.

Governo pede mais responsabilidade

O presidente sul-coreano Lee Jae Myung pediu maior responsabilização das forças policiais diante do episódio.

Segundo o presidente, o aumento dos poderes da polícia precisa ser acompanhado de mecanismos proporcionais de responsabilidade e controle. A declaração ocorre em um momento de mudanças no sistema de investigação criminal da Coreia do Sul, que devem ampliar o papel da polícia.

O ministro do Interior e Segurança, Yun Ho-jung, também apresentou desculpas às famílias das vítimas e à população. A cúpula policial prometeu revisar os procedimentos para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

Jeju é um dos principais destinos turísticos da Coreia do Sul

A ilha de Jeju é conhecida por suas paisagens vulcânicas, praias, trilhas e áreas naturais, sendo um dos principais destinos turísticos do país.

A repercussão dos casos gerou preocupação sobre a imagem da ilha, especialmente entre turistas. No primeiro semestre de 2026, Jeju recebeu cerca de 1,2 milhão de visitantes estrangeiros, segundo dados citados pela Reuters.

Apesar da repercussão, as autoridades não apontaram, até o momento, uma ligação entre as quatro mortes que justificasse a hipótese de atuação de um assassino em série ou de uma organização criminosa. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias de cada caso.

Mais de 70 mil desaparecimentos são registrados por ano

O episódio também abriu um debate mais amplo sobre o funcionamento do sistema de registro e investigação de pessoas desaparecidas na Coreia do Sul.

Dados oficiais indicam que a polícia sul-coreana recebeu 70.814 registros de adultos desaparecidos em 2025. Mais de 70 mil ocorrências desse tipo são registradas anualmente desde 2022, embora a maioria seja solucionada em até 30 dias.

As autoridades agora avaliam se os problemas identificados em Jeju são casos isolados ou se revelam falhas que podem existir em outras regiões do país.

Investigação pode provocar mudanças

O escândalo colocou a atuação da polícia no centro de um debate sobre responsabilidade institucional, especialmente diante das mudanças previstas no sistema de investigação criminal sul-coreano.

Enquanto as autoridades investigam o policial e revisam centenas de ocorrências, familiares das vítimas cobram respostas sobre a forma como os desaparecimentos foram tratados.

A descoberta dos quatro corpos transformou casos inicialmente separados em uma crise nacional sobre procedimentos policiais, investigação de desaparecimentos e responsabilidade das autoridades públicas.

Fonte: SIC Notícias, Reuters e informações de autoridades sul-coreanas.

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