Só capitão poderá falar com árbitro em nova regra
Mudanças entram em vigor imediatamente e podem acrescentar quase seis minutos de bola rolando por partida nas competições nacionais
A CBF aprovou novas regras para o futebol brasileiro nesta segunda-feira (10). A entidade tomou a decisão após uma reunião com clubes das Séries A e B.
As mudanças buscam reduzir paralisações e aumentar o tempo de bola rolando nas competições nacionais.
O encontro ocorreu em um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol informou que as novas medidas entram em vigor imediatamente.
As regras valem para as Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro masculino. Além disso, alcançam a Série A1 feminina e a Copa do Brasil.
A International Football Association Board (IFAB), entidade responsável pelas leis do futebol, definiu as normas. Algumas delas, inclusive, já aparecem em competições internacionais.
CBF quer aumentar o tempo de bola rolando
A principal meta das mudanças é tornar as partidas mais dinâmicas.
Para isso, a CBF pretende combater atrasos em cobranças, substituições e atendimentos médicos. Ao mesmo tempo, a entidade quer reduzir outras interrupções durante os jogos.
A Fifa utiliza 60 minutos de bola rolando como referência por partida. Entretanto, o futebol brasileiro ainda está abaixo desse número.
Antes da pausa para a Copa do Mundo, a Série A registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando.
Portanto, o campeonato apresentava uma diferença de mais de sete minutos em relação à referência.
Na comparação com outras ligas, o futebol brasileiro também fica atrás. A França e a Alemanha, por exemplo, registram média de 56 minutos e 17 segundos.
Novas regras podem acrescentar quase seis minutos
Segundo a CBF, as mudanças podem acrescentar, em média, 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida.
Em determinadas situações, o ganho poderá chegar a 6 minutos e 22 segundos.
A projeção aparece no relatório Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro. A CBF elaborou o levantamento com dados fornecidos pela Opta.
Dessa forma, a entidade pretende aproximar as competições brasileiras dos principais parâmetros internacionais.
Além disso, a CBF aposta na padronização da arbitragem para alcançar esse resultado.
Segundo o diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, as novas regras representam apenas uma parte do processo.
Para o dirigente, árbitros, clubes e jogadores precisam participar da mudança. Assim, a entidade espera garantir partidas mais fluidas e com menos interrupções.
Confira as 10 novas regras da CBF
1. Goleiro terá oito segundos com a bola
O goleiro poderá permanecer com a bola nas mãos por até oito segundos.
Caso ultrapasse esse limite, o árbitro concederá escanteio ao adversário.
2. Arremesso lateral terá limite de cinco segundos
O jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança.
Se ultrapassar o tempo, o adversário ficará com o arremesso lateral.
3. Tiro de meta deverá ocorrer em cinco segundos
O árbitro iniciará a contagem após o apito.
Se o goleiro demorar mais de cinco segundos para cobrar o tiro de meta, o adversário receberá um escanteio.
4. Substituído terá 10 segundos para sair
O jogador substituído terá 10 segundos para deixar o gramado.
Caso demore mais do que o permitido, o substituto deverá esperar um minuto antes de entrar em campo.
5. Jogador atendido ficará um minuto fora
O atleta que receber atendimento médico dentro do gramado deverá sair do campo.
Além disso, permanecerá fora por pelo menos um minuto antes de retornar.
6. Atendimento ao goleiro terá regra específica
Quando o goleiro receber atendimento médico, o treinador ou o capitão indicará um jogador de linha.
Esse atleta cumprirá um minuto fora do campo após o reinício da partida.
7. Apenas o capitão poderá falar com o árbitro
A nova regra determina que apenas o capitão poderá se dirigir ao árbitro em determinadas situações.
Se o goleiro ocupar a função de capitão, a equipe deverá indicar outro jogador como interlocutor.
Quem descumprir a determinação poderá receber cartão amarelo.
8. “Protocolo Vini Jr.” prevê expulsão
O árbitro poderá expulsar um jogador que tapar intencionalmente a boca durante uma discussão para impedir uma eventual leitura labial.
Nesse caso, a punição poderá ocorrer independentemente do conteúdo da conversa.
9. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo
O VAR poderá analisar o segundo cartão amarelo que resultar em expulsão.
Assim, a arbitragem poderá cancelar a expulsão caso identifique um erro na aplicação da punição.
10. VAR poderá revisar escanteio marcado por engano
A arbitragem de vídeo poderá revisar um escanteio concedido incorretamente quando a jogada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Entretanto, essa será a única das dez medidas com implementação prevista apenas para 2027.
Mudanças já valem nas competições nacionais
As novas regras terão impacto direto nas principais competições organizadas pela CBF.
Por isso, jogadores, treinadores e comissões técnicas precisarão adaptar procedimentos durante cobranças, substituições e atendimentos médicos.
A arbitragem também terá papel fundamental nesse processo.
Afinal, os árbitros precisarão aplicar as medidas de forma uniforme para reduzir interrupções sem prejudicar o andamento das partidas.
Com as mudanças, a CBF espera aumentar o tempo efetivo de jogo.
Dessa maneira, a entidade pretende recuperar aproximadamente seis minutos de futebol por partida e tornar os jogos brasileiros mais dinâmicos.



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